Parte Final
A escolha da característica do especialista aqui no Brasil tem sido quase que exclusivamente pelo “coringa” passador, tal situação ocorre pela tendência de copiar a seleção brasileira de Handebol de Areia justamente pelos bons resultados que ela apresenta.
Essa dúvida na escolha, a meu ver, não tem razão de existir, levando em consideração a primeira matéria sobre a tomada de decisão do especialista.
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Gusmão: arremesso de fora contra o equador |
O que ocorre é que o atleta que tem características de ser chutador tende a ser autoconfiante em seu arremesso e acaba optando por chutar várias vezes quando seu companheiro está em melhores condições. Por isso o especialista não pode ter nem um pouco de vaidade, melhor dizendo, nenhum atleta de handebol de areia pode ser vaidoso, se isso ocorrer ele irá levar sua equipe à derrota. Outro fator que favorece essa opção de muitos chutes de fora é o falso espaço que a defesa do beach apresenta e aí, quando o atleta esboça a reação de ir pra o arremesso o deslocamento na areia não é igual ao que se vê na quadra, fazendo com que a defesa chegue ao espaço ao mesmo tempo do atacante. Essa é minha teoria para explicar a vantagem que o especialista passador leva em cima do chutador, a movimentação do especialista por si só já oferece perigo à defesa fazendo com que o seu companheiro fique livre para finalizar, não necessitando da ameaça de arremesso.
O especialista que souber alternar mudanças de velocidades perante a defesa também terá mais facilidade para visualizar qual companheiro de ataque está mais livre para fazer o gol, pode ser mudanças de velocidade e tempos de bola, utilizando ao máximo os 3 segundos que a regra permite.
Terceira conclusão: Não importa se atleta tem características de ser chutador ou passador, o que importa é que ele saiba qual a melhor opção a tomar depois da ação ofensiva e leitura da defesa. A característica do especialista não é essencial para obter êxito, o importante é saber tomar a decisão certa no momento certo.